Cotidiano

Comecei tratamento de hemodiálise e agora como ficará meu trabalho?

Autor: Ludiana Cardozo Rodrigues

Resenha da pesquisa: A manutenção da vida laboral por doentes renais crônicos em tratamento de hemodiálise: uma análise dos significados do trabalho. Disponível em: https://www.scielosp.org/pdf/sausoc/2016.v25n4/1050-1063/pt

Várias mudanças ocorrem nos Pacientes Renais Crônicos, e uma delas é a sua relação com o trabalho. Levando em consideração as condições clínicas de cada paciente, o trabalho desempenhado por estes antes do adoecimento, muitos precisam se utilizar de benefícios sociais, como auxílio-doença ou aposentadoria por invalidez.

Aqueles que conseguem manter a atividade laboral referem ter dificuldades para realizá-las devido à impossibilidade de manter uma jornada de trabalho adequada. Muitos apresentam ausências em função da indisposição do tratamento, e são orientados a desistir do seu trabalho.

O dano emocional causado pela impossibilidade de desempenhar atividades laborais causa angústia, estados depressivos e não aceitação das suas capacidades. Mas também pode ser algo produtivo, como levantado pela pesquisa intitulada “A manutenção da vida laboral por doentes renais crônicos em tratamento de hemodiálise: uma análise dos significados do trabalho” apresentando o significado do trabalho por Pacientes Renais Crônicos . 

Um dado interessante apontado pela pesquisa, é que o significado do trabalho, nas circunstâncias da doença renal crônica, se apresentou também entre os sujeitos da pesquisa como o da preservação da saúde psíquica. As autoras apontam que a escolha pela manutenção do trabalho ou da atividade pelo Paciente Renal tem se mostrado eficaz no enfrentamento da doença, segundo os próprios pacientes. Afirmam que todos os pesquisados tinham a ideia de que o trabalho auxilia no enfrentamento da doença. Para eles, um dos benefícios de continuar trabalhando é “não ficar de cabeça vazia”, o que reafirma a ideia de que é por meio da atividade laboral que as pessoas se mantêm como atores sociais, interferindo e modificando a vida pela ação e pela prática e se inserindo no mundo sociocultural.

E destacam que seria importante que houvesse uma discussão no âmbito da legislação e das políticas públicas para que, em alguns casos, o Paciente Renal que tivesse condições físicas e psicológicas pudesse manter o seu emprego sob condições especiais e condizentes com suas necessidades de tratamento. É importante pensarmos nesta esfera e considerar que há sim possibilidade de trabalho para o Paciente Renal Crônico, quando avaliadas suas subjetividades e potencialidades.

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