Cotidiano

Histórias Re(n)ais: É a vida!!!!! É bonita! É bonita!!!!

Por: Alessandro – Paciente em Tratamento de Hemodiálise

Imagem: Pixabay

Meu nome é Alessandro, tenho 48 anos e há 2 meses descobri que sou renal crônico, “Meu Mundo Caiu”! Mas, nada é tão ruim que não possa ficar pior! No terceiro dia de Hemodiálise eu enfartei, pois é….

Tenho 2 filhos, um de 23 e outro de apenas 11 anos e uma esposa que amo. Três grandes motivos pra me desesperar! Quando parava pra pensar neles, no leito de uma UTI, não sabia se o sentimento era de estar pronto para me jogar do oitavo andar do Hospital, ou morrer de vez para tirar satisfação pessoalmente com Deus. Estes sentimentos duraram dias, e a pergunta que não se afastava de mim era: “Por que eu? De repente quando já estava no meu vigésimo dia de internação, resolvi juntar meus cacos, me lembrei de quando recebi a notícia de ser um renal crônico, de quando vi pela primeira vez uma máquina de hemodiálise, de ter tido um enfarto e tudo que passei durante este tempo. Cheguei em várias conclusões, mas a principal que me veio a mente foi: “O que Fazer Agora?” Foi aí que me vieram 2 opções, lutar ou me entregar, aí pensando bem pra trás, antes de ficar doente, descobri que tudo que fiz e que todos fazem desde o nascimento é lutar, lutamos para respirarmos o primeiro ar, lutamos pra comer, lutamos para sobreviver, então o que eu tinha que fazer era isto, Lutar! Com isto em mente, descobri que minha vida não tinha acabado, que pra eu estar vivo naquele momento era sinal de que eu merecia, eu lutei a vida toda, só mudaria o fato de eu continuar achando motivos para viver e aí fui atrás deles. Os principais que motivaram foram:

1- Todos morrem, sem exceção! Se eu me cuidar, pode ser que eu viva mais do que viveria antes de saber que sou um renal crônico.


2– Já lutei tanto na minha vida, por que agora vou parar de lutar? Só porque os outros me veem como doente? Não mesmo!!!!


3– Quantos dias vivi até hoje? Não sei! Porque antes contava minha idade em anos, mas o dia de hoje se chama presente, então tenho que contar minha vida em dias, pois cada dia vai ser mais que especial pra mim.


4– Deus existe? Sim Deus existe! Se Deus não existisse eu não teria me lamentado tanto com ele e não teria um pingo de força para suportar esta mudança que está ocorrendo na minha vida e a maior certeza que Deus existe é que não consigo provar sua inexistência e não conheço ninguém que consiga.


5- O que fazer agora? Viver! Viver! Me modificar, tenho esta chance agora! Pra começar me inscrevi e já inseri o cateter para começar uma dialise peritoneal, com isto terei mais mobilidade, poderei acompanhar meu filho, poderei fazer as tarefas de casa, chegarei mais próximo da vida que tinha antes. Mas pode dar errado? Acho que não! Porque como disse estou vivendo meu presente, que é cada dia, e dentro deste conceito eu cuidarei do meu presente e a peritoneal que chega mais perto do que acho que é voltar a tomar o controle da minha vida. Eu preciso me sentir dono da minha vida e para isto, como um bom dono, terei que ser muito responsável comigo nos próximos presentes. Mas veja bem, pra mim a peritoneal pode ser muito boa, para outros pode não ser, o que quero dizer é que temos que procurar alternativas, temos que tentar! Temos que lutar!

Juntando isto tudo, tenho vivido cada dia com muito amor, cada dia como o dia mais especial da minha Vida. Por incrível que pareça tenho melhorado como pai, como marido e como pessoa, então por que não ver estes problemas como oportunidades, agarrá-lo e perceber que tenho que viver e não ter a vergonha de ser feliz. Se algum dia chegar a minha hora de partir, partirei como um lutador e com plena certeza que a vida é bonita! É bonita!

REFERÊNCIAS

A divulgação deste texto foi previamente avaliada e autorizada pelo paciente. O paciente autorizou a divulgação de seu nome na história.

Comunicação – Fundação Pró-Renal

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