Textos Reflexivos

Relatos Re(n)ais: História de Atílio

Atílio, 59 anos, em hemodiálise desde 2005.

 

Eu morava em um sítio na Lapa e com 18 anos machuquei a perna no futebol. Esse machucado formou uma ferida, que permaneceu sem cicatrizar por 6 anos, pois eu fugia de consultas quando o pessoal da saúde ia me visitar no sítio. Até que um dia eu fui visitar um benzedeiro que me mandou fazer uma mistura de ervas e passar no local, porém a perna começou a inchar. Passei dois anos com a perna inchada, até vir para Curitiba e fazer a primeira cirurgia. No total foram três cirurgias para curar a ferida.

Cuidava da chácara de um amigo e um dia chegou uma mulher com sua filha, pedindo comida e pouso. Concordei e deixei ela dormir na chácara. No dia seguinte, ela não queria mais ir embora, então eu lhe dei roupas, ela tomou banho, pegou um lençol e fez roupas para a filha.

Um dia ela reencontrou uns amigos da rua e quis ir tomar cerveja com eles, mas eu falei que se ela fosse não precisava mais voltar. Ela preferiu ir e foi embora com a filha. Quando pedi para ela deixar a filha, que eu criaria, disse que com a criança ela ganharia mais doações. Depois que ela foi embora eu nunca mais a vi.

Quando fiz a segunda cirurgia da perna conheci outra mulher. Ficamos um mês no hospital juntos, porém devido aos namoricos fomos expulsos de lá. Ela foi embora e eu fiquei no hospital.

Um tempo depois, quando eu estava morando em Faxinal dos Correios, a namorada antiga me ligou para ir buscá-la na rodoviária em Ponta Grossa. Ficamos quatro anos morando juntos em Ponta Grossa, mas ela era muito ciumenta e por isso nos separamos.

Depois que me separei, fui morar em Contenda com minha irmã, lá fiquei dois anos e depois fui morar na Lapa com uns amigos. Nessa época eu sempre ia aos bailes e um dia conheci minha terceira esposa. Conheci no sábado, ficamos juntos no domingo e na segunda aluguei uma casa para nós. Ficamos juntos durante cinco anos. Ela já tinha duas filhas. E do nosso relacionamento tivemos uma filha. Amei muito minha terceira esposa, mas ela faleceu.

Um tempo depois conheci outra mulher. Conheci ela no domingo e na segunda fui pedir ao pai dela para nos casarmos. Com ela fiquei cinco anos e tive um filho, porém nos separamos.

Depois da separação, voltei para Lapa com minha filha mais nova. Nessa época, eu já estava aposentado por causa da perna, porém tive que recomeçar a vida do zero. Um dia comecei a passar mal e tive que fazer tratamento para os rins. Dois anos depois, iniciei o tratamento de hemodiálise.

Nessa época, pedi para a mulher de um amigo meu ser minha acompanhante enquanto estava fazendo hemodiálise. Um dia, o marido dela descobriu que ela estava dormindo comigo e mandou ela embora de casa, então ela se mudou para a minha casa.

Depois que voltei de um internamento no hospital, percebi que ela estava diferente, e descobri que ela estava de caso com meu compadre, então mandei os dois embora. Um tempo depois descobri que o compadre encontrou ela com outro.

Depois que me separei dela, namorei um ano com outra mulher, porém um dia, sem brigas, fui embora. Namorei também mais duas meninas.

Para mim, a doença renal nunca atrapalhou em nada na minha vida, sempre fiz o que tive vontade, sempre gostei de dançar. Adoro ir aos bailes me divertir e procuro ver a vida com alegria. Sempre que posso, ajudo os demais pacientes da clínica e procuro alegrá-los. Faz 13 anos que estou na hemodiálise. Fiz amizade com todos na clínica. Os dias mais felizes são os que eu venho para a clínica. Eu sou feliz assim!

 

 

*A divulgação deste texto foi previamente avaliada e autorizada pelo paciente.

* O paciente autorizou a divulgação de seu nome na história.

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