Pesquisas Científicas

Redução dos Níveis de Ansiedade de Pacientes em Hemodiálise: Pesquisas Recentes

Fonte da imagem: Brett Ryder/Courtesy of Health Affairs

Por: Luiza Helena Raittz Cavallet

A ansiedade é uma das principais queixas dos pacientes com Doença Renal Crônica (DRC), em especial aqueles que estão em programa de hemodiálise. A rotina na hemodiálise envolve o contato com agulhas e cateteres, a visualização de sangue, longo tempo despendido com o tratamento, além do próprio processo de elaboração psíquica da doença. Estes fatores podem gerar ou agravar sintomas de ansiedade. Esta, por sua vez, pode prejudicar a saúde e o tratamento, pois torna mais difícil para o paciente seguir as recomendações (controle de líquidos e alimentos, tempo das sessões de diálise, sono adequado etc) além de manifestar-se também em sintomas físicos (aumento da pressão arterial, aceleração dos batimentos cardíacos, tremores, alterações gastrointestinais etc).

A ansiedade vem sendo uma preocupação constante de pacientes, familiares e profissionais no contexto da Nefrologia. Uma revisão das últimas pesquisas publicadas na área evidencia a busca por avaliar o impacto de diferentes técnicas (tais como relaxamento, terapia de grupo, musicoterapia e aromaterapia) na redução da ansiedade de pacientes em hemodiálise.

Um estudo realizado no Irã com 46 pacientes demonstrou os benefícios da aromaterapia na redução dos sintomas da ansiedade. Os participantes realizaram a inalação de água de rosas (Damask Rose – flor típica da região) por 4 semanas antes das sessões de hemodiálise e antes de dormir. A inalação ocorria em sessões de 15 a 20 minutos, através do uso de um lenço de algodão limpo em que eram colocadas 3 gotas da água de rosas (concentração de 25%). A ansiedade foi avaliada através do Inventário Spielberger de ansiedade traço/estado antes e depois das 4 semanas, demonstrando redução significativa dos sintomas no grupo intervenção (BARATI et al, 2016)

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Fonte da imagem: https://bit.ly/2N0nTVj

Outro estudo, realizado no Brasil, na Paraíba, avaliou o efeito de intervenções musicais durante as sessões de hemodiálise (escuta de 30 minutos de música clássica suave). Após a intervenção, os participantes apresentaram redução estatisticamente significativa do escore de ansiedade, da pressão arterial, da frequência cardíaca e da frequência respiratória  (MELO et al, 2018).

Em Cuba, um estudo comparou o impacto da terapia em grupo e da meditação em pacientes em hemodiálise. Os 15 participantes foram divididos em 3 grupos: os que realizaram 6 sessões de terapia em grupo, os que realizaram 8 sessões de meditação e um grupo que realizou ambos. Todos os participantes tiveram redução dos níveis de ansiedade e de depressão e aumentaram os estilos ativos de enfrentamento. A terapia em grupo, combinada e isolada, demonstrou melhores resultados do que apenas a intervenção com meditação (CISNEROS ACOSTA; REYES SABORIT, 2016).

A terapia em grupo também foi avaliada por outra pesquisa, realizada na Coréia com 7 participantes. Estes realizaram 12 sessões semanais de uma hora de terapia em grupo antes das sessões de hemodiálise. A metodologia da intervenção se pautou na Terapia Cognitivo Comportamental e abordou as seguintes atividades e temas: compreensão do estresse, da depressão, da relação entre pensamento e emoção; relaxamento muscular progressivo; mindfullness (respiração e movimento); reconhecimento de pensamentos automáticos; estabelecimento de metas; habilidades para o controle de sentimentos negativos e dor, gerenciamento do estresse, controle de raiva, habilidades sociais e habilidades de comunicação. Todos os participantes demonstraram melhora significativa na qualidade de vida, no humor (ansiedade e depressão) e no estresse percebido. Os níveis séricos de creatinina e o Kt/V também obtiveram melhora significativa, sugerindo uma melhor adesão ao tratamento (SOHN et al, 2018).

Apesar da crescente publicação de artigos dentro desta temática, observa-se a necessidade de ampliar o número de estudos, de participantes, o tempo e a variedade das intervenções avaliadas. Diante da alta frequência do uso dos benzodiazepínicos e hipnóticos por pessoas com Doença Renal Crônica (tal como foi abordado nesse outro post aqui) e das advertências dos autores quanto aos riscos destes, é essencial o investimento em práticas alternativas à medicação e o estudo de seus impactos.

 

Referências

  1. BARATI, F. et al. The Effect of Aromatherapy on Anxiety in Patients. Nephrourol Mon, n. 8, v.5, e38347, 2016. doi: 10.5812/numonthly.38347
  2. CISNEROS ACOSTA, E.T.; REYES SABORIT, A. Empleo combinado de meditación focalizada e intervención psicológica grupal en pacientes con insuficiencia renal crónica terminal. Revista Electrónica Dr. Zoilo E. Marinello Vidaurreta, n. 41, v. 1, 2016. Disponível em: http://www.revzoilomarinello.sld.cu/index.php/zmv/article/view/559
  3. MELO, G. A. A. et al. Intervenção musical sobre a ansiedade e parâmetros vitais de pacientes renais crônicos: ensaio clínico randomizado. Rev. Latino-Am. Enfermagem, n. 26, e2978, 2018. Doi: 10.1590/1518-8345.2123.2978
  4. SOHN, B.K. et al. Effectiveness of group cognitive behavioral therapy with mindfulness in end-stage renal disease hemodialysis patients. Kidney Research and Clinical Practice, n. 37, v.1, p. 77-84, 2018. https://doi.org/10.23876/j.krcp.2018.37.1.77

 

 

 

 

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