Cotidiano

A Incrível Arte de Escutar o Paciente

fonte: Freepik®

 

Por: Thaís M. Amatneeks

Nós profissionais de saúde, estamos em contato com outros seres humanos a todo o momento. Escolher trabalhar na área da saúde é escolher trabalhar com pessoas. Além disso, quando trabalhamos com saúde, trabalhamos também com doenças, com pessoas doentes. Alguns profissionais, desde sua formação, vêm sendo preparados para lidar com esses pacientes. Já na formação de algumas profissões, são mais focadas na sua técnica. Entretanto isso não é requisito para o desenvolvimento de empatia.

A EMPATIA é tentarmos entender os outros, termos a capacidade de ver e compreender a realidade através dos olhos dos outros. Tem como objetivo conhecer e compreender. Ela é diferente da SIMPATIA, que é o que nós sentimos em relação aos outros ou o que transmitimos para os outros. Tem como objetivo estar com o outro e agradar.

Quando falamos em trabalhar com pessoas em situações delicadas, falamos muito mais de empatia do que de simpatia, pois a ideia não é trabalhar a fim de agradar o outro, mas sim de estar aberto a conhecer e compreender aquela pessoa na sua individualidade. Às vezes quando as pessoas tentam compartilhar algo que é bastante doloroso com a gente, nós tentamos tornar tudo positivo. Tentamos fazer com que as coisas melhorem, porém dificilmente algo que alguém fale faz as coisas ficarem melhores. O que torna as coisas melhores é a conexão entre as pessoas.

Falar a uma pessoa que “tem gente bem pior que você…”  não vai extirpar a dor desta pessoa. Uma dor pessoal não dói menos por existir alguém com uma dor maior. Cada ser humano tem uma forma de encarar, compreender e lidar com o mundo baseado nas suas vivências.

OUVIR alguém é muito mais simples do que ESCUTAR. Percebemos que muitos profissionais se dispõem a ouvir, mas não a escutar o paciente. O ouvir implica nos órgãos do sentido captar o que está sendo dito. Já o escutar implica na compreensão e processamento do que está sendo dito. Precisamos diariamente nos treinar a escutar o que o outro está nos dizendo, o que ele espera dizendo o que diz.

Percebemos que é mais fácil compadecer-se e procurar escutar um paciente que está numa atitude desmotivada frente à vida do que a um que está em posição de revolta. Devemos, portanto ter cuidado para não tentar calar esses sentimentos.

A psicologia, num ambiente multiprofissional, constantemente recebe solicitações para “resolver” o choro ou a raiva de alguém. Costumo falar, que Psicólogo não é supernanny e tendo a convidar quem faz esse pedido a refletir o motivo desta demanda.

Paciente raivoso: Por trás de gritos e reclamações sempre existe uma necessidade não atendida.  Nem sempre será o que a pessoa diz. A necessidade pode ser de descanso, mais tempo, atenção, organização, dentre outros. É importante focar na necessidade da pessoa, e não apenas na queixa. Diminuir a importância da necessidade dela é um caminho arriscado. Mostre que se importa e que está fazendo o que está ao seu alcance para resolver a situação do melhor modo possível.

Paciente choroso: O choro é um modo de expressar emoção presente em todas as culturas humanas e fases da vida. Muitas vezes o nosso choro é um desconforto que não conseguimos expressar em palavras. Nem todo choro necessita da atuação do psicólogo. É uma forma de expressão, um desconforto manifestado, e muitas vezes apenas oferecer escuta e presença é o suficiente para que a pessoa se sinta melhor e o choro cesse.

Somos profissionais de cuidado, entretanto, para cuidar e escutar o outro é preciso também saber cuidar-se e escutar-se. Lembre-se que você também passou e passa por momentos difíceis e que gostaria de ser escutado.

“Cuidar é mais que um ato, é uma atitude. Portanto abrange mais que um momento de atenção, zelo e desvelo. Representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e envolvimento afetivo com o outro” (Leonardo Boff).

 

 

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