Cotidiano

Qualidade do Sono e o Uso de Medicações para Dormir

Fonte da imagem: https://www.thedailybeast.com/anti-anxiety-and-sleeping-pills-increase-risk-of-death-new-study-reports

Por Luiza Helena Raittz Cavallet

 

Problemas relacionados ao sono são cada vez mais frequentes na sociedade e os índices são especialmente altos em pessoas com Doença Renal Crônica (já trabalhamos este tema neste outro texto aqui). Como consequência disso, remédios psiquiátricos como os benzodiazepínicos e hipnóticos vêm sendo cada vez mais utilizados.

 

Exemplos de benzodiazepínicos

Nome genérico Nome comercial
Diazepam Valium
Clonazepam Rivotril
Lorazepam Lorax

 

Um estudo realizado em Taiwan (YEH et al, 2014) indicou que estes são os psicofármacos mais utilizados na população com Doença Renal Crônica (Benzodiazepínicos 42,6% e Hipnóticos 20%). Contudo, diversos estudos vêm contraindicando o uso destas medicações e/ou alertando para a necessidade de se ter cuidado em sua administração (GREENE et al, 2017; MOREIRA et al, 2014; YEH et al, 2014). Segundo os autores, os benzodiazepínicos aumentam o risco de quedas, de alterações cognitivas e de consciência. Além disso, eles possuem forte potencial para abuso, dependência e efeitos colaterais (GREENE et al, 2017). O uso excessivo destas medicações pode, inclusive, agravar sintomas de ansiedade e insônia e foi associado a um aumento de 15% na mortalidade de pessoas em hemodiálise (YEH et al, 2014). A sugestão é de que o uso seja pontual, em situações de grande necessidade, e pelo menor tempo possível (MOREIRA et al, 2014).

Qualidade do sono e o uso de medicações para dormir - imagem 2

Fonte da imagem: https://focushereandnow.com/brain-supplements/

Yeh et al (2014) chamam a atenção para o fato de que a insônia é um dos sintomas possíveis de um quadro maior, a depressão. Conforme evidenciou o estudo, a depressão na população em hemodiálise é muito frequente, porém pouco diagnosticada e tratada, ao passo que o uso de benzodiazepínicos é alto. Os autores alertam para a necessidade de avaliar com cuidado a insônia, visando diferenciar seu acontecimento enquanto sintoma isolado e enquanto parte de um quadro depressivo.

Seguem abaixo alguns cuidados que podem melhorar a qualidade do sono e evitar o uso excessivo de medicações:

  • Praticar atividades físicas: elas ajudam a cansar o corpo e liberam substância que auxiliam na regulação do sono.
  • Cuidados com a alimentação à noite: alimentos com digestão mais lenta e/ou consumo de grandes quantidades pode atrapalhar o sono.
  • Evitar alimentos e bebidas estimulantes à noite (café, chás escuros, refrigerantes, chimarrão, chocolate etc).
  • Evitar a exposição à iluminação da televisão e/ou do celular no momento de deitar-se para dormir.
  • Antes de dormir, priorizar atividades que sejam relaxantes e evitar atividades estimulantes. Isso pode variar muito de pessoa para pessoa. Por exemplo, para alguns a leitura é relaxante e induz o sono, enquanto para outros, podem acelerar o pensamento demasiadamente e funcionar para despertar.
  • Exercícios de relaxamento e meditação podem contribuir para o autoconhecimento e podem auxiliar no equilíbrio do sono.
  • Evitar cochilos durante o dia – eles podem estabelecer um ciclo de inversão do horário de sono (muito comum em pessoas que fazem hemodiálise e que costumam cochilar durante as sessões).
  • Procurar auxílio profissional: diversos distúrbios do sono (apneia , síndrome das pernas inquietas, bruxismo etc) podem passar despercebidos sem o auxílio de um profissional especializado (neurologista, especialista em sono). A alteração do sono pode também estar relacionada à ansiedade, depressão e outros aspectos psicológicos. A consulta a um Psicólogo pode contribuir para a compreensão e o manejo destes sintomas.

 

REFERÊNCIAS

  • GREENE, S.; AUFDERHEIDE, E.; FRENCH-ROSAS,L. Toxicologic Emergencies in Patients with Mental Illness. Psychiatric Clinics of North America, 40(3): 519-532, set 2017. https://doi.org/10.1016/j.psc.2017.05.007
  • MOREIRA, J. M.; MATTA, S. M.; KUMMER, A. M.; BARBOSA, I. G.; TEIXEIRA, A. L.; SILVA, A. C. S. Transtornos neuropsiquiátricos e doenças renais: uma atualização. J Bras Nefrol, n.36, v.3, p. 396-400, 2014. doi: 10.5935/0101-2800.20140056
  • YEH, C. et al. Prescription of psychotropic drugs in patients with chronic renal failure on hemodialysis, Renal Failure, 36:10, 1545-1549, 2014. DOI: 10.3109/0886022X.2014.949762

 

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