Psiconefrologia

18 de Maio: Dia da Luta Antimanicomial

Fonte: goo.gl/LcZDr4

“Querer-se livre é também querer livres os outros.”

Simone de Beauvoir

Por séculos os transtornos mentais tinham como principal causa desordens de origem religiosa, os tratamentos eram prescritos pelos representantes dessas instituições. Na sequência surgem os hospitais que abrigavam todas aquelas pessoas que eram marginalizadas a sociedade, os pacientes com transtornos mentais eram acorrentados e expostos ao frio e a fome. Essa forma de tratamento é substituída por hospitais psiquiátricos que acolhiam as pessoas com transtornos mentais, um dos representantes desse movimento é Philippe Pinel.

No entanto, as pessoas em tratamento tinham rupturas dos seus vínculos sociais, familiares e afetivos ficando sob custódia do saber psiquiátrico e vivendo apenas a personalidade da sua própria Psicopatologia. O isolamento e a segregação eram consequência dessa forma de intervenção. Desse modo, tornavam-se moradores destas intuições, sendo novamente alienados ao progresso da sociedade.

A partir dos movimentos de Reforma psiquiátrica propostos por Franco Basaglia e da promulgação da Lei nº 10.216, de 6 de abril de 2001, que dispõe sobre a proteção e os direitos das pessoas portadoras de transtornos mentais, o modelo assistencial em saúde mental é redirecionado. O Brasil reformula o tratamento destes indivíduos, não estimulando mais o internamento psiquiátrico, mas através de um cuidado integral em hospitais dia, CAPS, ambulatórios, permitindo assim, a permanência em seus territórios junto aos seus familiares e meio social.

Ocorre toda uma mudança nas intervenções com pessoas que apresentam transtornos mentais, as ações são focadas na humanização e no cuidado integral a saúde psicológica e física dos mesmos. No entanto, no final de 2017 representantes das comissões de gestores de saúde nacional iniciaram discussões e votações com objetivo de reformular as políticas de saúde mental. Neste contexto haveria o retorno dos leitos psiquiátricos, o aumento do número de vagas em comunidades terapêuticas entre outras ações.

A reforma está sendo reformada, mas com um retrocesso secular quando retratamos os avanços que a Política de Saúde Mental e os movimentos sociais estavam propondo. Independente da psicopatologia as pessoas devem ser estimuladas em sua própria autonomia, sendo agentes da sua própria cura. A família, território, seus vínculos sociais, afetivos também fazem parte do tratamento e não devem ser abruptamente rompidos.

É preciso incluir, cuidar, acolher as pessoas com transtornos mentais e não excluir a margens de tratamentos focados apenas no sintoma e não na reabilitação do paciente como indivíduo em seu pleno potencial.  Que essa data seja lembrada por todos os profissionais como uma luta que precisa continuar sendo viva e discutidas nos cenários de saúde mental.

 

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