Psiconefrologia

“A vida imita a arte muito mais do que a arte imita a vida…”

Por: Debora Berger Schmidt

A afirmação de Oscar Wilde que intitula esse texto fica evidente nas prudentes preocupações manifestas em público de algumas instituições sobre a novela “Do outro lado do paraíso”.

No dia 26/03/18 a Sociedade Brasileira de Nefrologia publicou uma carta (https://sbn.org.br/carta-tv-globo-sobre-novela-do-outro-lado-do-paraiso/) direcionada à emissora esclarecendo a associação de cisto, câncer e cálculos renais. Na novela, a personagem Adriana foi diagnosticada com cálculo renal e suposto cisto, de modo que depois da biópsia foi confirmado o câncer. Essas passagens podem dar margem a confusões e preocupações de pessoas que enfrentam esses diagnósticos e seus familiares.

Esclarecemos que quem tem calculose renal pode ter função renal normal, da mesma forma que os cistos podem ser simples e benignos e as pessoas manterem a função renal regular. Mesmo após a retirada do tumor maligno, também é possível manter a função renal normal.

Não é a primeira vez que a mesma novela apresenta problemáticas que deixam a população brasileira carecendo de esclarecimentos.  Em janeiro do mesmo ano a novela abordou a difícil história de uma jovem personagem vítima de abuso sexual na infância, que buscou atendimento com um “coach” para tratamento. Na ocasião, o Conselho Federal de Psicologia (https://site.cfp.org.br/o-outro-lado-do-paraiso-presta-desservico-populacao-brasileira/) se posicionou dizendo que a novela “presta um desserviço à população brasileira” pela forma como o tema foi abordado. Sobre isso, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (http://portal.crppr.org.br/noticia/o-outro-lado-do-paraiso-e-onde-o-coaching-substitui-a-psicologia) publicou:

Diante de um equívoco muito perigoso para a sociedade, o Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) vem a público esclarecer que apenas Psicólogas(os) e Psiquiatras possuem formação técnica e recursos para lidar com questões da psique humana, do sofrimento mental e, como retratado na história, do abuso sexual. As técnicas de coaching são válidas para auxiliar as pessoas em processos de mudanças, transformações e realização de metas e objetivos em diferentes áreas da vida; porém, o coaching não auxilia na superação de traumas psicológicos.

E vem mais por aí… as cenas dos próximos capítulos prometem abordam o tema do transplante renal e suas reverberações no contexto familiar, nicho importantíssimo do profissional psicólogo na área da nefrologia no preparo e avaliação do paciente receptor e doador.

É válido ressaltar, entretanto, que ambos os temas já tratados (abuso sexual e Doença Renal) são importantes de serem transmitidos nas telinhas brasileiras já que representam a problemática de muitas pessoas. São temas tabus, carregados de pré-conceitos, desconhecimentos e sofrimento que merecem serem discutidos de modo responsável e acessível à população em geral.

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