Pesquisas Científicas

Possibilidades de Práticas Alternativas no Cuidado ao Paciente Renal

Por: Jéssica Caroline Santos

As práticas atuais em saúde precisam ser repensadas e adaptadas conforme a realidade atual, o principal objetivo para isso é a ampliação do acesso aos pacientes nos cuidados Psicológicos e multiprofissionais. Dessa forma, grupos alternativos demonstram uma possibilidade de intervenção dentro da Política Nacional de Humanização (PNH).

O acolhimento, trocas, o saber produzido nesses espaços de saúde, podem beneficiar pacientes que vivenciam doenças crônicas, como os doentes renais, justamente pelos tratamentos dialíticos que proporcionam influencias na qualidade de vida. Os impactos podem ser sentidos diretamente nas esferas psicológicas, físicas, sociais e espirituais. Evidenciando assim, a necessidade de ações multiprofissionais.

Neste contexto, os autores Vieira et al., 2009 realizaram um estudo intitulado: Reabilitação psicossocial de pacientes com doença renal crônica: utilização da clínica ampliada. O objetivo da pesquisa foi descrever propostas de intervenção multiprofissional junto aos pacientes de um serviço de nefrologia. O foco das intervenções foi a estimulação dos recursos para o enfrentamento da doença. As ações eram desenvolvidas durante a sessão de hemodiálise e também em momentos previamente agendados, com a realização de oficinas terapêuticas e atividades lúdicas, expressivas, socioculturais, palestras educativas e momentos de espiritualidade.

A fundamentação está na PNH, para Vieira et al., 2009 a aproximação entre usuários e profissionais, acolhimento, reconhecimento da subjetividade e expressão das questões culturais fazem parte da política e direcionam as ações atuais em saúde.

Desse modo, os autores desenvolveram as intervenções em vários contextos, principalmente durante as sessões de hemodiálise. Destacam-se as atividades lúdicas, expressivas, cognitivas, socioculturais, de lazer, palestras educativas e momentos de espiritualidade. Exemplos de abordagem: a disponibilização da “caixa de surpresas” que possui revistas, jornais, jogos diversos; o uso do circuito interno audiovisual com transmissão de filmes, vídeos educativos e musicais; parcerias com instituições culturais e voluntários que proporcionam momentos musicais.

Nesta pesquisa também foram exploradas possibilidade de oficinas terapêuticas, organizadas anteriormente com intuito de proporcionar atividades fora do contexto de hemodiálise. São citadas as confraternizações, passeios, cantatas.  Nas oficinas terapêuticas também são exploradas habilidades por meio da produção artística, seguida de espaço para a abordagem do profissional com discussão em grupo. Os temas são definidos conforme datas comemorativas e interesses manifestados pelos pacientes.

Neste sentido, para Vieira e colaboradoras (2009) o recurso das oficinas, para além da materialização do conteúdo psicológico, proporcionam um espaço de valorização do discurso do paciente, reinserção no contexto familiar e social, reconstrução da cidadania, rompimento de isolamentos, resgate e/ou melhora da autoestima e redução dos transtornos emocionais. Uma intervenção diferenciada seria a probabilidade e dos pacientes irem ao cinema, teatro, praia e museu. São possibilidade de aproximação com cultura, momentos de descontração e contato com um mundo para além do tratamento renal.

As autoras apresentam em seu trabalho, que as práticas alternativas têm se mostrado relevantes, pois impulsionam o paciente a comportamentos mais construtivos frente à doença e o tratamento. Os resultados destas ações também podem ser observadas na melhora dos pacientes em suas funções afetivas, ocupacionais e sociais.

Além do mais, grupos funcionam como modelos de espelho, ao escutar o outro, sua história, sentimentos, resoluções também é possível escutar a si mesmo. O conteúdo dialogado no grupo causa identificações em várias esferas psíquicas. Alem disso, o fator lúdico atua como uma possibilidade de psicoeducação.  Desse modo, as práticas alternativas de cuidado contribuem para o sentimento de acolhimento, pertencimento e ampliação de possibilidade de enfrentamento. 

 

 

Referências bibliográficas:

VIEIRA, Milady Cutrim et al. Reabilitação psicossocial de pacientes com doença renal crônica: utilização da clínica ampliada. Revista Médica de Minas Gerais, v. 19, n. 4 Supl 2, p. 71-74, 2009. Disponível em: http://rmmg.org/artigo/detalhes/1137.

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